
Já sofreu alguma queda e não soube avaliar se precisava de socorro médico? Fratura, entorse, luxação e contusão têm sintomas tão parecidos que até médicos precisam de exame para diferenciar. Mas alguns sinais já ajudam a orientar a decisão antes mesmo de chegar ao consultório.
Para nos ajudar, o Dr. Fernando Tamanaga, ortopedista e especialista em ombro e cotovelo do Hospital Ortopédico AACD, explica como diferenciar as lesões e como funciona o processo de cicatrização.
Como diferenciar a fratura de outras lesões?
As quatro principais lesões que são confundidas por terem sintomas e características parecidas são: fratura, luxação, entorse e contusão. Por isso, é importante reconhecer cada uma para decidir se precisa ou não ir ao pronto-socorro.
Fratura
Além da dor intensa e do inchaço, o corpo pode reagir à quebra do osso com batimentos cardíacos acelerados, respiração mais rápida, tontura e sensação de fraqueza.
Para reconhecer uma fratura, a dor costuma ser profunda e piora quando você pressiona o osso. Em alguns casos, dá pra ver uma deformidade visível e ouvir um estalo no momento do trauma.
Luxação
Na luxação, o osso se desloca da articulação. Com o osso fora do lugar, a compressão ou lesão de vasos sanguíneos e nervos pode acontecer, o que causa batimentos cardíacos acelerados e pele fria.
Os sinais mais característicos da luxação são o travamento de movimento no local da lesão e o osso visivelmente fora do lugar.
Entorse
Quando há a torção brusca da articulação, a dor intensa pode causar batimentos cardíacos acelerados, tontura e sensação de fraqueza.
Na prática, fique atento ao momento do trauma. Houve torção? Ficou roxo e inchado rapidamente? São sinais comuns da entorse.
Contusão
Como a pancada atinge apenas músculos e pele, os únicos sinais da lesão são a dor localizada, inchaço e vermelhidão na pele.
O que diferencia a contusão de outras lesões é que a dor acontece apenas na superfície e bem localizada onde o trauma aconteceu.
Tipos de fraturas ósseas

Falando especificamente das fraturas ósseas, elas podem ser resultado do envelhecimento natural do corpo, doenças que enfraquecem os ossos, como a osteoporose, ou traumas físicos.
Existem seis principais tipos de fraturas ósseas que podem acontecer: a mais comum é a fratura fechada, onde o osso quebra e a pele fica intacta. Já na aberta ou exposta, o osso rompe a pele, o que aumenta o risco de infecção e exige atendimento imediato. Na fratura transversal, o osso se fratura horizontalmente. A cominutiva acontece quando a lesão faz o osso se fragmentar em várias partes e, caso aconteça por conta da tração de um tendão ou ligamento, ela vira uma fratura por avulsão. A sobrecarga repetitiva óssea, bem comum em corredores e atletas que exageram no treino sem descanso adequado, pode gerar uma fratura por estresse.
Tratamento e recuperação
Para o tratamento das fraturas, uma das partes mais importantes desse processo é a consolidação. Nela, o osso consegue se regenerar sozinho e o tratamento existe para apoiar e garantir que a cicatrização ocorra do jeito certo.
Na primeira fase, a inflamação forma um hematoma no local da fratura, fazendo com que pequenos pedaços do fragmento sejam absorvidos pelo próprio corpo. Isso possibilita que a fratura apareça no raio-X depois de alguns dias.
Durante o segundo estágio, o de reparo, a cartilagem formada em volta da fratura pelos novos vasos sanguíneos resulta em um calo, que funciona como uma ponte provisória para unir os fragmentos enquanto o osso se reconstrói. A imobilização é importante nos dois processos iniciais para a formação dos vasos sanguíneos.
Na fase final, chamada de remodelação, o calo se transforma em osso e é remodelado para cobrir a parte afetada pela fratura. Durante esse período, os médicos costumam liberar gradualmente a movimentação dos membros fraturados, inclusive com o carregamento de peso.
Falando sobre as formas de tratamento, as mais utilizadas são a imobilização, para apoiar a consolidação, e medicamentos, para controlar a dor e prevenir infecções. Em casos mais graves, com desalinhamento importante entre os fragmentos, fraturas expostas, instabilidade óssea ou comprometimento articular, a cirurgia vira uma possibilidade.
Saiba mais sobre os tratamentos e prevenção de fraturas ósseas
Por Beatriz Freitas Vera Cruz
Atuação do Hospital Ortopédico AACD
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